Mês vocacional

“Vem e segue-me!”

“Desde o início de sua atividade e junto ao mar da Galileia, Jesus chama os primeiros quatro discípulos para reunir em torno a si um grupo” (Mc 1,16-20). Segundo1 o plano do evangelho de Marcos, o primeiro ato que Jesus faz no início do que chamamos seu ministério público é convidar duas duplas de irmãos para o seguirem: Pedro e André; Tiago e João. A Galileia é o lugar do começo do ministério público de Jesus e, ao mesmo tempo, o término desse mesmo ministério (cf. 1,16; 16,7). Esses quatro primeiros discípulos são homens que trabalham e têm a pesca como profissão; o Senhor os tira desse trabalho e os leva consigo. Observemos que o chamado depende de uma decisão livre de Jesus.

Se Jesus chama livremente estas duas duplas de discípulos é para prepará-los para a missão de “pescadores de homens”. O que vale dizer que evangeliza de verdade quem vive em contato profundo e permanente com a Boa Notícia, ou seja, com Jesus, Filho de Deus e Messias (Mc 1,1). O convite de Jesus a segui-lo é sempre para a missão, ou seja, para realizar um trabalho – o de pescador de homens – a serviço do Reino de Deus.

Jesus não os chama como trabalhadores assalariados e com férias garantidas. Ele simplesmente os chama. Seu chamado é exigente, mas é mediante ele que eles poderão encontrar o sentido de suas vidas. Além disso, há que enfatizar a obediência imediata e incondicional com a qual os discípulos respondem ao chamado de Jesus: “… e, imediatamente deixando as redes e o pai Zebedeu, puseram-se a seguir Jesus” (Mc 1,18-20).

Seguir o Mestre

Na escola de Jesus, não são os discípulos que escolhem o mestre com base em critérios preestabelecidos, mas é Jesus quem toma a iniciativa e, agindo com autoridade profética, escolhe seus discípulos. Tudo tem início com um encontro e uma palavra autorizada, eficaz e criativa de Jesus: “Segue-me”. Essa palavra expressa sua vontade eletiva em relação à pessoa chamada. Por meio de Jesus, Deus intervém na vida das pessoas. É Deus quem procura o ser humano nas coordenadas do tempo e da história.

 

A vocação é uma realidade misteriosa, profundamente ligada à personalidade de cada um, ou seja, ao modo de como encaramos a vida, as atitudes, os valores… a própria vocação está ligada à estrutura de cada um, aos seus dinamismos e até às suas decisões.

É uma realidade que muda a vida pessoal de cada um, pois leva-nos a pensar naquilo que é mais importante para vida diária. Crescemos, amadurecemos e aí começamos a tornar-nos mais exigentes connosco próprios.

Na vida cristã, a vocação é um modo de integrar-se e ligar-se àquilo que é proposto pelo exemplo de vida de Cristo; de o seguir de acordo com o que nos é proposto por esse amadurecimento que vamos fazendo ao longo do nosso crescimento diário. Todos temos dons, qualidades, privilégios que temos que desenvolver e até colocá-los ao serviço daqueles que mais precisam, mesmo sendo complicado de o fazer, pois nem sempre estamos dispostos ou temos tempo para o fazer. Mas o crescimento passa, também por aqui. Ou seja, procurarmos algum tempo para os outros, para ajudar naquilo que for necessário…

Todo o processo de crescimento e amadurecimento tem como base a família de cada um. Daí ser necessário dialogar com os pais, com pessoas mais velhas, pois elas próprias já fizeram um caminho e têm alguma experiência de vida. A acção educativa e o acompanhamento familiar são pontos-chave para o desenvolvimento pessoal e civilizacional, como vivência da própria vocação.

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